quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Impressões de 1964: Rupturas e Permanências

Por Larissa Domingues

A mesa redonda formada pelos professores Marins C. Leite, Paulo Eduardo Arantes e José Mauricio Cardoso gerou uma reflexão conduzida por todas as palestras desse primeiro simpósio da escola Henriqueta Vialta Saad. O tema debatido foi a presença e as consequências da ação militar no cenário ditatorial brasileiro.

A discussão iniciou-se com a justificativa salvacionista que deu origem ao golpe aplicado pelos militares. Paulo Arantes respondeu a essa primeira indagação afirmando que havia uma esperança sobre o rumo que o país teria, no entanto, era desconhecido esse encaminhamento. Ademais, foi realizado durante o governo de João Goulart um comício em que Carlos Lacerda realizou uma pesquisa de opinião constatando que 95% das 200 mil pessoas presentes não queriam a reeleição do presidente, mas eram a favor das reformas de base, o golpe foi justificado baseado nessa pequena parcela da população que temiam o comunismo. A presença de uma ameaça comunista no Brasil, dessa maneira, tão utilizada como o fator principal para o golpe é desmistificada durante essa parte do evento que mostra a incipiente formação de revoltas populares que não caracterizavam uma verdadeira ameaça.

O professor José Mauricio faz uma crítica ao reflexo gerado pela não discussão da ditadura, considerando-a um trauma e, dessa forma, esse sentimento gera repetição. Destaca ainda o papel midiático na formulação de uma superficialidade sobre esse período. Essa discussão é fruto da continuação do debate pelo professor Marins ao questionar a participação do exército na política brasileira. A resposta é explanada pela demonstração da formação da república ser um golpe militar e que, dessa maneira, a ação do exército mostra-se presente sempre quando esse órgão sente-se necessário. A presença militar evidencia-se como o órgão protetor com capacidade intervencionista garantida por lei, sendo o golpe militar e sua imagem de livramento e, inclusive, limpeza um Estado de Exceção.

A heterogeneidade brasileira não permite a construção de uma delimitação de a república ser um fracasso no país. A população convive com delimitações vagas sobre o que é a república que, no Brasil, a construção deu-se de maneira conturbada. "Vive-se num Estado oligárquico de direto". Essas reflexões encerram o debate sobre o tema tão complexo e abrangente, uma resposta construída pelos três palestrantes, uma conclusão e concordância sobre a importância histórica do período e seus reflexos no cenário atual. O Brasil consolidou-se como um país em que a proximidade cordial e informal explanou tamanha impessoalidade de tratamento de choque militar.






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