quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A (Não) Ruptura da Ditadura

POR LARISSA DOMINGUES*
Medo. Desconfiança. Desaparecimentos surdos. Violência muda. Ações repelidas. Repressão física. Cerceamento de expressão. Tortura. Essas expressões tentam, infelizmente com grande distância, mimetizar o período mais sombrio e aterrorizante da história brasileira: a Ditadura Militar. A legitimidade do golpe foi forjada pela explicação salvacionista contra uma ameaça comunista ao país. Foi uma exceção, num estado de emergência, que se tornou permanente durante vinte anos. 
O estudo desse estado de exceção e as extensões do golpe, tanto para o período em questão quanto para a contemporaneidade, foram escritos no ensaio de Paulo Arantes (1942-): “O Novo Tempo do Mundo (abril, 2014). O filósofo que presenciou esse totalitarismo à brasileira faz uma análise crítica no âmbito de a Ditadura se assegurar em interpretações da constituição e fazer emendas para se concretizar. Ele denuncia os abusos dos militares com o poder do governo do Brasil em mãos e o consentimento da elite com isso. O palestrante aponta, ainda, que os tenebrosos e assombrosos dias infindáveis do momento militar não são considerados como tais pelos agentes desse crime contra a sociedade brasileira.
O ex-professor da USP apresenta grande carga no que se refere a manifestações de políticas sociais o que confere a ele experiências em relação a governo e economia para teorizar a análise do que, segundo ele, é tido como o marco zero para o estudo da sociedade brasileira. Reflete-se em sua obra o olhar minucioso sobre a nova e vigorante constituição de 1988, pós Ditadura. Evidência, a partir dessa análise, que mesmo após esse caos escondido pela rigidez do regime que marcou a Ditadura, ainda apresenta-se como o lugar ideal para outra manifestação militar que possa almejar os dias gloriosos novamente. 
Essas reflexões constroem apenas uma simples imagem do que vem a ser a obra do filósofo sobre todo esse período, que constitui apenas um capítulo de seu livro de análises sobre a construção da sociedade moderna aos moldes dos estados de exceção e de emergência. O estudo da Ditadura de Paulo Arantes é, sobretudo, uma radiografia de pensamentos históricos, sociais, filosóficos e, inclusive, psicológicos, não se restringindo a brasileiros, de como se instituiu essa passagem, os riscos de não se extinguir pensamentos equivalentes ao que a formaram, suas explanações no âmbito econômico, político e social e a marca na sociedade brasileira. O filosofo incita a repugnância ao período e traz o conjunto de análises de uma visão repelida no Brasil: a política esquerda. 
Paulo Arantes afirma que a atitude da sociedadebrasileira ficou desaparecida com a bagunça que caracterizou a Ditadura. No entanto, o filósofo traz uma interpretação da fatalidade inovadora: “[...] no fundo a Ditadura foi um ato de violência contornável e cuja brutalidade se devia muito mais ao cenário de histeria da Guerra Fria. Com ou sem golpe, a modernização desenvolvimentista cedo ou tarde entraria em colapso, de sorte que, a rigor, o regime militar nada mais foi do que o derradeiro espasmo autoritário de um ciclo histórico que se encerraria de qualquer modo mais adiante, e não o tratamento de choque que partiu ao meio o tempo social brasileiro, contaminando pela raiz o que viria depois.. Arantes, dessa forma, analisa o período totalitário e sua função no cenário internacional concomitante com a sociedade e seus reflexos após a vitória do capitalismo na Guerra Fria. capítulo livro evidencia, assim, um ensaio sobre o legado da Ditadura no país que tenta esconder isso.



Prof. Pós Doutor Paulo Arantes




















Larissa Domingues

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