É Proibido Proibir esse espetáculo
“Essa
história de “Ismo” é muito chata, reduz a coisa a uma coisa momentânea, e a
Tropicália é uma coisa de repercussão enorme, além do prazo”
Torquato
Neto
Um
homem berrando palavras de revolta em frente ao Teatro Metrópole nos fez
acreditar que o espetáculo havia começado. Mas não, essa peça não seria algo
normal, portanto teria que começar com algo mais forte, mais impactante, talvez
uma moça sendo jogada, expulsa do teatro, transportando-nos logo à época de um
modo fascinante, após seu emotivo e profundo discurso? Sim! Esse era o modo perfeito
de se iniciar a peça “Proibido Proibir” do Balé da Cidade de Taubaté.
Já no começo, o corredor central foi o
palco para o início da encenação da brutalidade de dois militares para com uma
mulher, exausta, que no palco foi torturada. O fascinante jogo de luzes do
teatro, forrando o ambiente de um vermelho-sangue, a postura de imposição dos
militares, somados ao intenso sinal de angústia da sofrida mulher, mostrava que
a atmosfera de protesto e tristeza estava instaurada.
Detalhes como as jovens dizendo às pessoas
da plateia longas frases consideradas rebeldes e a única e solitária lâmpada do
palco piscando ao fundo no breu com, apenas, uma garota sendo afogada em um
balde, arrancava-nos arrepios e lágrimas.
Porém
pudemos observar que, apesar da estética fúnebre e intensamente triste, havia,
sobretudo, a permanência da alegria mostrada em atos bem humorados, como o de
Carmem Miranda e até da peça de Oswald de
Andrade “O Rei da Vela”. Com músicas de Chico Buarque, Gil, Vandré, o
espetáculo nos mostra a face da Tropicália, que, com Caetano Veloso, Torquato
Neto, Tom Zé e tantos outros, revela o espírito de criatividade, ousadia e
busca pelo novo, características as quais os artistas e defensores da liberdade
da cultura do país representavam bem. A força do povo unido, tantas vezes
esperançoso, persistente e sedento por liberdade nos é passada intensamente
pelo espetáculo.
Sem dúvidas é uma honra poder dizer que teremos esse show realizado pelo Balé da Cidade de Taubaté e criado por Mateus Vasconcellos, Gustavo Fataki e Henri Paranhos no nosso Simpósio, dia 15 de outubro. Até mesmo eu que sábado tive a oportunidade de assistir já estou ansioso para poder ver de novo. E você? Não vai perder né?







Nenhum comentário:
Postar um comentário