segunda-feira, 29 de setembro de 2014

 É Proibido Proibir esse espetáculo

Essa história de “Ismo” é muito chata, reduz a coisa a uma coisa momentânea, e a Tropicália é uma coisa de repercussão enorme, além do prazo
                                                                                                                                                                                                                                                                           Torquato Neto

Um homem berrando palavras de revolta em frente ao Teatro Metrópole nos fez acreditar que o espetáculo havia começado. Mas não, essa peça não seria algo normal, portanto teria que começar com algo mais forte, mais impactante, talvez uma moça sendo jogada, expulsa do teatro, transportando-nos logo à época de um modo fascinante, após seu emotivo e profundo discurso? Sim! Esse era o modo perfeito de se iniciar a peça “Proibido Proibir” do Balé da Cidade de Taubaté.
     
         Já no começo, o corredor central foi o palco para o início da encenação da brutalidade de dois militares para com uma mulher, exausta, que no palco foi torturada. O fascinante jogo de luzes do teatro, forrando o ambiente de um vermelho-sangue, a postura de imposição dos militares, somados ao intenso sinal de angústia da sofrida mulher, mostrava que a atmosfera de protesto e tristeza estava instaurada.
     
         Detalhes como as jovens dizendo às pessoas da plateia longas frases consideradas rebeldes e a única e solitária lâmpada do palco piscando ao fundo no breu com, apenas, uma garota sendo afogada em um balde, arrancava-nos arrepios e lágrimas.

Porém pudemos observar que, apesar da estética fúnebre e intensamente triste, havia, sobretudo, a permanência da alegria mostrada em atos bem humorados, como o de Carmem Miranda e até da peça de Oswald de Andrade “O Rei da Vela”. Com músicas de Chico Buarque, Gil, Vandré, o espetáculo nos mostra a face da Tropicália, que, com Caetano Veloso, Torquato Neto, Tom Zé e tantos outros, revela o espírito de criatividade, ousadia e busca pelo novo, características as quais os artistas e defensores da liberdade da cultura do país representavam bem. A força do povo unido, tantas vezes esperançoso, persistente e sedento por liberdade nos é passada intensamente pelo espetáculo.
          
           Sem dúvidas é uma honra poder dizer que teremos esse show realizado pelo Balé da Cidade de Taubaté e criado por Mateus Vasconcellos, Gustavo Fataki e Henri Paranhos no nosso Simpósio, dia 15 de outubro. Até mesmo eu que sábado tive a oportunidade de assistir já estou ansioso para poder ver de novo. E você? Não vai perder né?  










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